domingo, 20 de julho de 2008

Literatura Brasileira: Concretismo / Tropicalismo em Caetano Veloso com o Poema Rap “Língua”

Acadêmica: Joana da Paz

Apresentação

Na poesia, o que se pode dizer é que o ímpeto destruidor e revolucionário da Geração de 22, foi arrefecido na Geração de 30, diluiu-se a partir de 45. Naquele período a preocupação era produzir poesias de forma confortável de acordo com a sensibilidade de cada artista. O poeta João Cabral de Melo Neto foi o mais importante do período de 45, e em meados da mesma época já havia manifestação inibida daquela que seria a revolucionária poesia concreta.

A Poesia Concreta promoveu a ligação do ato de escrever poesia à produção da arte visual. Liderado inicialmente pelos irmãos Augusto e Haroldo Campos e Décio Pignatari, o grupo propunha a Poesia Concreta.

Em 1952, surgiu o grupo Noigandres, “a flor que afasta o tédio”. O nome foi recolhido em Ezra Pound, que havia retirado de uma canção trovadoresca e, significava para o grupo “poesia em progresso”.

Em 1954, Ferreira Gullar lançou no Rio de Janeiro, o livro A Luta Corporal, com experiências que leva em conta o espaço em branco do papel e as possibilidades de diagramação da palavra em poesia, unindo significante e significado, comunhão nova que se afinava com as propostas de concretistas de São Paulo.

Propostas que foram conhecidas pelo público em 1956 quando ocorreu e Exposição Nacional de Arte Concreta, reunindo artistas paulistas e cariocas no Masp (Museu de Arte de São Paulo. A mostra reunia poemas-cartazes e esculturas concretas, como principais participantes: Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar, Ronaldo Azeredo, Vladimir Dias Pino, Reinaldo Jardim, Mauro Faustino e Oliveira Bastos. Os concretistas reconheceram como precursores do movimento, Mallarmé, Apollinaire, Ezra Pound, James Joyce, William Williams, E.E. Cummings, Goringer, Oswald de Andrade e João Cabral de Melo Neto, além dos futuristas e dadaístas.

Neste trabalho farei uma breve biografia e análise da letra Língua, música do cantor e compositor Caetano Veloso, que teve influencias do concretismo na fase tropicalista.

Concretismo

Ainda que tenha sido bastante influenciado por movimentos artísticos que costumam estar associados à idéia de vanguarda negativa, o Tropicalismo também se manifestou como um desdobramento do Concretismo da década de 1950 (especialmente da Poesia concreta). A preocupação dos tropicalistas em tratar a poesia das canções como elemento plástico, criando jogos lingüísticos e brincadeiras com as palavras é um reflexo do Concretismo.

Características concretistas: Poemas com movimentos; Jogos de palavras e formas; Espaço em branco no papel; Diagramação da palavra em poesia; Ideograma: apelo à comunicação não-verbal; Atomização: as palavras são desmanchadas, criando outras palavras; Metacomunicação: simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal; Polissemia: trocadilho, justaposição de substantivos e verbos, aliteração; Estrutura verbivocovisual: valorização do espaço visual, do aspecto gráfico da letra, da cor e da disposição das palavras; Poema objeto: Poema Concreto transforma-se num objeto em si mesmo, auto-suficiente, deixa de ser um intérprete de objetos exteriores, assim como de sensações subjetivas; Isomorfismo: representações virtuais que simulam o real, através de sua semelhança formal.

PENSAN

OQUASE

AMARDO

QUASAR

QUASEH

HUMANO

"quasar" de augusto de campos, décio pignatari ( poesia concreta )
Biografia

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu 7 de agosto de 1942 na Bahia, filho de José Teles Veloso (Seu Zezinho) e Claudionor Viana Teles Veloso (Dona Canô). Na infância, foi fortemente influenciado por arte, música, desenho e pintura; as maiores influências musicais desta época foram alguns cantores em voga, como "o rei do baião" Luiz Gonzaga, e músicas de maior apelo regional, como sambas de roda e pontos de macumba. Em 1956 freqüentou o auditório da Rádio Nacional, na capital fluminense, que contava com apresentações dos maiores ídolos musicais brasileiros.

Em 1960 mudou-se para Salvador, onde aprendeu a tocar violão. Apresentou-se em bares e casas noturnas de espetáculos. Nesta época, o interesse por música se intensificou.

Tragetória

Iniciou a carreira interpretando canções de bossa nova. Recebendo a influência de João Gilberto, um dos ícones e fundadores do movimento, em seguida ajudou a criar um estilo musical que ficou conhecido como MPB (música popular brasileira), deslocando a melodia pop na direção de um ativismo político e de conscientização social. O nome ficou então associado ao movimento hippe do final dos anos 60 e às canções do movimento da Tropicália.Trabalhou como crítico cinematográfico no jornal Diário de Notícias, dirigido pelo diretor e conterrâneo Glauber Rocha.

A obra adquiriu um contorno pesadamente engajado e intelectualista e o artista firmava-se sendo respeitado e ouvido pela mídia e pela crítica especializada. Participou na juventude de espetáculos semi-amadores ao lado de Tom Zé, da irmã Maria Bethânia e do parceiro Gilberto Gil, integrando o elenco de Nós por exemplo, Mora na filosofia e Nova bossa velha, velha bossa nova em 1964.

O primeiro trabalho musical foi uma trilha sonora para a peça teatral Boca de ouro, do escritor Nelson Rodrigues, do qual Bethânia participou em 1963, e também escreveu a trilha da peça A exceção e a regra, do dramaturgo alemão Bertolt Brect, dirigido por Álvaro Guimarães, na mesma época em que ingressou na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Carreira musical

Foi lançado no cenário musical nacional pela irmã, a já conhecida cantora Maria Bethânia, que gravou uma canção de autoria no primeiro disco, Sol negro, um dueto com Gal Costa, as cantoras que mais gravaram músicas de sua autoria. Em 1965, lançou o primeiro compacto, com as canções, Cavaleiro e Samba em Paz, ambas de sua autoria, pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG), participando também do musical Arena canta Bahia (ao lado de Gal, Gil, Bethânia e Tom Zé), dirigido por Augusto Boal e apresentado no TBC (São Paulo). Teve músicas inclusas na trilha do curta-metragem Viramundo, dirigido por Geraldo Sarno.

O primeiro LP gravado, em parceria com Gal Costa, foi Domingo (1967), produzido por Dori Caymmi, foi lançado pela gravadora Philips, que posteriormente transformou-se em Polygram (atualmente Universal Music), que lançaria quase todos os discos. Domingo contou com uma sonoridade totalmente bossa-novista, e a ele pertence o primeiro êxito popular da carreira, a canção Coração vagabundo. Mesmo não tendo sido um estrondoso sucesso, garantiu um bom reconhecimento a dupla e foi muito aclamado pelo meio musical da época, como Elis Regina, Wanda Sá, o próprio Dori Caymmi e Edu Lobo, marcando a estréia de ambos nessa gravadora, a convite do então diretor artístico João Araújo. A canção Um dia, no repertório deste, recebeu o prêmio de melhor letra no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record.

Tropicalismo

Nesse mesmo ano, a canção Alegria, Alegria, que fez parte do repertório do primeiro LP individual, Caetano Veloso (janeiro de 1968), No dia em que vim-me embora, a antológica Tropicália, Soy loco por ti América e Superbacana, e também lançada em compacto simples, ao som de guitarras elétricas do grupo argentino Beat Boys, enlouqueceu o terceiro Festival de Música Popular Brasileira (TV Record, outubro de 1967), juntamente com Gilberto Gil, que interpretou Domingo no Parque, classificadas respectivamente em quarto e segundo lugar.

Era o início do Tropicalismo, movimento este que representou uma grande efervescência na MPB.

Este marco foi realizado pelo lançamento do álbum Tropicália ou Panis et Circensis (julho de 1968), disco coletivo que contou com as participações de outros nomes consagrados do movimento, como Nara Leão, Torquato Neto, Rogério Duprat, Capinam, Tom Zé, Gil e Gal. Ficou associada a este contexto a canção É Proibido Proibir, da sua autoria (mesmo compacto que incluía a canção Torno a repetir, de domínio público), que ocasionou um dos muitos episódios antológicos da eliminatória do 3º Festival Internacional da Canção (TV Globo), no Teatro da Universidade Católica (São Paulo, 15 de setembro de 1968). Vestido com roupa de plástico, ele lança de improviso um histórico discurso contra a platéia e o júri. "Vocês não estão entendendo nada!", grita. A canção é desclassificada, mas também foi lançada em compacto simples. Em novembro, Gal defende sua canção Divino maravilhoso, parceria sua com Gil, no mesmo musical onde participou defendendo a canção Queremos guerra (de Jorge Benjor). Caetano lançou um compacto duplo que continha a gravação do samba A voz do morto que foi censurado, com isso o LP foi recolhido das lojas.

Obras Caetanianas


- Domingo (1967) - com Gal Costa - CD de platina

- Caetano Veloso (1968) - CD de ouro

- Caetano Veloso (1969) - CD de ouro

- Barra 69 - Caetano e Gil ao Vivo (1969) - com Gilberto Gil - CD de ouro

- Caetano Veloso (1971) - inglês - CD de ouro

- Transa (1972) - inglês - CD de ouro

- Caetano e Chico Juntos e Ao Vivo (1972) - com Chico Buarque - CD de platina

- Araçá Azul (1972) - CD de ouro

- Temporada de Verão ao Vivo na Bahia (1974) - CD de ouro

- Jóia (1975) - CD de ouro

- Qualquer Coisa (1975) - CD de ouro

- Doces Bárbaros (1976) - ao vivo - com Gil, Bethânia e Gal - CD de platina

- Bicho 1977 (1977) - CD de ouro

- Muitos Carnavais (1977) - CD de ouro

- Muito - Dentro da Estrela Azulada (1978) - CD de ouro

- Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo (1978) - com Maria Bethânia - CD de platina

- Cinema Transcendental (1979) - CD de ouro

- Outras Palavras (1981) - LP de ouro / CD de ouro

- Brasil (1981) - CD de ouro

- Cores, Nomes (1982) - LP de ouro / CD de ouro

- Uns (1983) - LP de ouro / CD de ouro

- Velô (1984) - LP de ouro / CD de ouro

- Totalmente Demais (1986) - ao vivo - LP de platina - CD de ouro

- Caetano Veloso (1986) - lançado no BRASIL em 1990 - CD de ouro

- Caetano Veloso (1987) - CD de ouro

- Estrangeiro (1989) - CD de ouro

- Circuladô (1991) - CD de ouro

- Circuladô ao Vivo (1992) - LP de ouro / CD de ouro

- Tropicália 2 (1993) - LP de ouro / CD de ouro

- Fina Estampa (1994) - espanhol - CD de platina dupla

- Fina Estampa ao Vivo (1994) - CD de platina

- Tieta do Agreste (1996) - CD de ouro

- Livro (1997) - CD de platina

- Prenda Minha (1999) - ao vivo - CD DE DIAMANTE DUPLO

- Omaggio a Federico e Giulieta ao Vivo (1999) - CD de ouro

- Noites do Norte (2000) - CD de ouro

- Noites do Norte ao Vivo (2001) - CD de ouro

- Eu Não Peço Desculpa (2002) - CD de ouro

- Todo Caetano (caixa com 40 CDs) (2002)

- A Foreign Sound (2004) - inglês - CD de ouro

- Onqotô (2005)

- Cê (2006) - CD de ouro

- Cê ao vivo (2007)

Concertos

- Villa dei Quintili, Roma, Italia - Associazione Regina Viarum de Marisela Federici Rivas y Cardona (18-7-2005)

Cinema

- Coração Vagabundo (2008)

- Cinema Falado (1986)

- Doces Bárbaros (1976)

Literatura

- Veloso, Caetano (1997). Alegria, Alegria.. Rio de Janeiro: Pedra que ronca.

- Veloso, Caetano (1997). Verdade tropical.. São Paulo: Companhia das Letras.

- Veloso, Caetano (2003). Tropical Truth: A Story of Music and Revolution in Brazil. New York City, New York: Alfred A. Knopf.

- Veloso, Caetano (2003). Letra só.. Companhia das Letras.

- Veloso, Caetano (2005). O mundo não é chato.. São Paulo: Companhia das Letras.

- Morais Junior, Luís Carlos de (2004). Crisólogo. O estudante de poesia Caetano Veloso.. Rio de Janeiro: HP Comunicação.

- Mei, Giancarlo (2004). Canto Latino: Origine, Evoluzione e Protagonisti della Musica Popolare del Brasile (in Italian). Stampa Alternativa-Nuovi Equilibri.


Características do poema Língua: Polissemia: trocadilho; Atomização: as palavras desmanchadas, criando outras; Verbivocovisual: valoriza todos os sentidos de comunicação da palavra; Metacomunicação: coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal.

Texto para análise

Língua
Caetano Veloso


Gosto de sentir a minha língua roçar

A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo.

Lusamérica latim em pó.
O que quer
O que pode

Esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O
que quer

O que pode esta língua?

Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz
quer dizer corisco

Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
(– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nego?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!)

Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem.

Análise da obra Língua

No texto Língua de Caetano Veloso na primeira estrofe o eu - lírico se reporta na primeira pessoa “Gosto de sentir a minha língua roçar /A língua de Luís de Camões”, dizendo que gosta que a língua portuguesa seja entrelaçada com a língua de Luís de Camões, em seguida fala de sua dedicação pela língua, com sua prosódia em paródias que fazem diminuir o sofrimento, e metaforicamente em: “E furtem cores como camaleões” que a língua está em constante mutação, de acordo com o tempo e sua regionalidade. O poeta personifica Camões e Pessoa, às vezes com ironia outras vezes com gracejos aos poetas portugueses, e também da prosa de Guimarães Rosa que é um dos grandes escritores brasileiro. Observa-se o sentimentalismo do poeta em relação a língua portuguesa do Brasil, quando fala “Minha pátria é minha língua”.

Na segunda estrofe “Flor do Lácio Sambódromo / Lusamérica latim em pó”, nestes versos expõe a história da língua portuguesa, desde sua base, passando pela Península Ibérica, Portugal, até a atualidade. “O que quer / O que pode / Esta língua?” é uma pergunta bastante abrangente, pois a língua portuguesa brasileira, além de ser descendente do português de Portugal, tem suas próprias composições de povos imigrantes, que resulta numa grande miscigenação, então além de tudo isso, a língua quer se atualizar, e por meio dela se pode tudo.

Na terceira estrofe o eu - lírico está na primeira pessoa do plural e fala da sintaxe, do estrangeirismo e pede que sejamos imperialistas, com a dicção de Carmem Miranda e o resgate com Chico Buarque de Holanda e nos chama a atenção para ‘os deles e delas de TV’, a língua é também o teatro, o cinema, a poesia, os meios de comunicação de massas e a própria música popular. “De coisas como rã e ímã / Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã”

Na quarta estrofe o poeta demonstra em “A língua é minha pátria / E eu não tenho pátria, tenho mátria / E quero frátria” que a língua pode ser inovada, inclusive fala da poesia concreta como futurista, e na mistura do samba-rap.

Em toda esta obra percebe-se que o autor usa metáforas, com rimas constantes e a musicalidade inovada, justamente para exaltar e explorar a “Língua Portuguesa Brasileira” sugerindo reflexões sobre a mesma.

O trocadilho, o desmanchar de palavras e criação de outras, a valorização de todos os sentido da comunicação por meio da palavra (língua / idioma) e, coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal: é que fazem com que o Poema Língua seja comparado com os poemas de Haroldo e Augusto de Campos juntamente com os demais concretistas, pois Caetano na sua imensa criação fez com que o Poema Língua seja um poema Concreto.

Contextualização

Diferenças conceituais à parte pode-se dizer que Olavo Bilac e Caetano Veloso são intelectuais emblemáticos destas épocas distintas da vida brasileira. O tensionamento do fim do império, a consolidação da República e os debates daí decorrentes sobre os rumos do país envolveram Olavo Bilac por inteiro e marcaram sua produção artística e militância política em favor da construção de uma grande nação dos trópicos. Ao lado da produção literária, vamos encontrar Olavo Bilac mergulhado na defesa das causas patrióticas, utilizando o texto e o reconhecimento público, enquanto intelectual, para defender seus pontos de vista nos diversos meios de comunicação disponíveis na época. Podemos dizer, guardadas as devidas proporções, que Olavo Bilac foi um homem de mídia no seu tempo, dedicando-se à militância jornalística no Rio de Janeiro e em São Paulo, participando ativamente de conferências e debates nos mais diversos lugares do país e na Europa, na Academia Brasileira de Letras, editando livros e se transformando em um dos principais polemistas de então. Estas polêmicas lhes renderam um duelo de capa e espada com o poeta Pardal Mallet, além de prisões, exílio e perseguições no governo Floriano Peixoto. Nestas ocasiões, utilizava-se da sátira e da paródia, na imprensa e no teatro, para criticar seus adversários.

Esta capacidade de Olavo Bilac em balançar as estruturas do poder estabelecido também está presente em Caetano Veloso.

A forma iconoclasta e o conteúdo inovador do Tropicalismo colocaram Caetano Veloso no centro do debate cultural nos meios de comunicação de massas, no qual ficou evidente o choque da sua proposta com os modelos de análise da intelectualidade da esquerda tradicional. Entretanto, era o elemento contestatório do Tropicalismo à ordem estabelecida que mais chamava a atenção e que transformou Caetano Veloso no alvo da repressão da ditadura militar. Cem anos antes da canção de Caetano Veloso, Olavo Bilac fez um poema intitulado Língua Portuguesa, também considerado uma celebração ao idioma. O texto de Olavo Bilac destaca a excepcionalidade de uma língua originária do latim, que viceja num ambiente exótico e, ao mesmo tempo, agreste. Da mesma forma que o texto de Caetano Veloso, o poema de Olavo Bilac sugere reflexões sobre a língua e fornece pistas acerca do olhar do autor sobre a nacionalidade.

Celebrar a língua é uma intenção que está registrada no conjunto dos textos, em particular na invocação do ícone de Camões. Esta reverência ao principal poeta da língua portuguesa demonstra que em ambos está presente o que se tornou um estigma em Caetano Veloso, o sentimento de narcisismo, de sentir prazer em valorizar o que é próprio de si. Desta forma, o projeto estético do cantor é parte integrante de um projeto político que expressa uma visão multifocal de país.

Considerações finais

Fazer a analise da letra Língua de Caetano Veloso é uma experiência maravilhosa, é viajar com a língua portuguesa e ver o quanto é grandiosa, o autor inova, não sei como me expressar, mas entendi um ‘malabarismo’ com as letras formando novas palavras onde a exalta de maneira extraordinária, fazendo trocadilhos e demonstrando a flexibilidade do nosso idioma, que o faz diferenciado dos demais. Estas transformações fazem com que o Poema Língua tenha semelhança com os poemas concretistas dos irmãos Campos, Décio Pignatari, Ferreira Gullar e os demais autores.

Temos uma reflexão sobre a língua como resultado da herança da civilização brasileira, na qual o elemento europeu, em contato com a cultura tropical e africana, se transforma e se apresenta como algo original através dos falares diversos.

Além das comparações entre Olavo Bilac, Caetano e Camões em relação ao idioma, faço também comparação do autor e sua arte com as letras, a Carlos Drummond de Andrade “O criador de palavras” com seu léxico drummondiano,

É prazeroso viajar com estes monstros consagrados da nossa literatura, e o mais importante é o leque de oportunidades, no aprendizado da língua portuguesa brasileira, particularmente melhorou meus conhecimentos a respeito do Concretismo e da inovação da língua.

Referência bibliográfica

MAIA, Domingues. Maia Literatura: textos & técnicas. São Paulo. Editora Ática S.A. 1996.

Minidicionário Houaiss da língua portuguesa / organizado pelo Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda. 2ª. ed. ver. e aum. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

OLIVEIRA, Clenir Belezir de. Literatura sem segredos. São Paulo. 1ª. edição, volume 13, 2007.

Referência online

http://www.inventario.ufba.br/02/d02/02eversilva.htm

http://arvoresdospoemas.blogspot.com/2007/09/poesia-concreta.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caetano_Veloso

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropic%C3%A1lia

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jp.smay@hotmail.com

2 comentários:

Edna Bueno disse...

Olha, você é dez. Mostrou sua capacidade e inteligência. Continue com essa garra, te admiro muito. De tua irmã do coração. Edna Bueno

Joana da Paz disse...

Tenho plena certeza que seu comentário é sincero.
Fico lisonjeada em tê-la como irmã e amiga.
Obrigada por prestigiar-me com sua visita em meu blog.
Volte mais vezes!